Balanço do Pan 2007: Organização e estrutura

O Pan do Rio foi realmente sensacional, um sucesso. Só é contra essa afirmativa os mal-humorados de plantão. Mas, não podemos ser ufanistas e tentar varrer os erros para debaixo do tapete. Só destacar o que deu certo é um erro, que põe em risco nossa candidatura para as Olimpíadas de 2016. Pois não tenho dúvida, se aprendermos com as nossas falhas, e melhorarmos o que saiu errado, com certeza o Rio tem totais condições de sediar os jogos olímpicos.

Pensando nisso, o Gema Carioca fez um balanço do que deu certo e o que deu errado no Pan Rio 2007. Confira.

Praças esportivas

O que deu certo? Praticamente tudo, o nível das instalações foram elogiados até pelos atletas estrangeiros. Maria Lenk, Arena Olímpica, Engenhão, Maracanãzinho. Tudo perfeito.

O que deu errado? O abandono da Cidade do Rock. Como o beisebol não é um esporte popular, as instalações não receberam o devido cuidado. Lamaçal, falta de energia elétrica, conforto zero para o público. Um verdadeiro mico, que não pode ser repetido de forma alguma em nível olímpico. O campeonato de softbol, por exemplo, teve os seus jogos finais decididos numa mesa, dentro de uma sala.

Trânsito

O que deu certo? A faixa seletiva foi uma excelente idéia. Facilitou a circulação das delegações esportivas. É claro que as férias escolares facilitaram todo o processo.

O que deu errado? Alguns congestionamentos aconteceram na linha amarela e Barra da Tijuca, nada fora do normal. E muitos motoristas desrespeitaram a faixa seletiva. Mas também, não há organização que resista a falta de educação do povo.

Ingressos

O que deu certo? Quase nada

O que deu errado? Quase tudo. Foi uma lástima.

Voluntários

O que deu certo? No geral o saldo foi positivo. Voluntários atenciosos, pacientes e sempre dispostos a ajuda o público. O grande número de pessoas também é um ponto a ser destacado.

O que deu errado? Nem sempre os volutários estavam bem orientados. Quando estive no Engenhão, para assistir ao atletismo, perguntei a três voluntários da arquibancada sobre onde ficava o assento marcado no meu ingresso, e a resposta mais comum eram “eu acho”, “deve ser por ali” ou ainda “fale com aquele outro voluntário”.

Olimpíadas 2016? Sim, como disse no começo do artigo, é possível. O Rio de Janeiro deu um passo bem largo rumo a este sonho. Mas, além de resolver esses pequenos problemas, os respectivos responsáveis devem ter atenção a expansão da rede hoteleira, aumento da capacidade do transporte de massa, despoluição da Baia de Guanabara, entre outros itens. Tudo possível.

Balanço do Pan 2007: Atletas, resultados e medalhas

Esportivamente falando, não tem discussão, este foi o Pan-Americano onde o Brasil mais conquistou medalhas, tanto no total geral, quanto na soma das medalhas de ouro. Além disso, alguns recordes pan-americanos e sul-americanos foram quebrados, principalmente na natação.

Outro fator que demonstra o sucesso dos atletas brasileiros no Pan do Rio foram os índices e classificações alcançadas, que lhes darão vagas para os jogos da Olimpíada de Beijing 2008 (Pequim). Acompanhando nossos atletas, cada conquista, cada medalha, o Gema Carioca preparou um balanço do melhor e do pior que aconteceu nos jogos, esportivamente falando. Confira a lista, e depois concorde ou discorde nos nossos comentários.

Atleta revelação:

Mayra Silva (judô) - Apenas com 15 anos, Mayra conseguiu conquistar uma medalha de prata na sua categoria, em seu primeiro Pan-Americano.

A Fera:

Thiago Pereira (natação) - Acho que este é unânime. Com seis medalhas de ouro, uma de prata e outra de bronze, Thiago bateu o recorde de conquistas em uma mesma edição dos jogos pan-americanos que pertencia a Mark Spitz (EUA), no Pan de 1967 (Winnipeg).

Decepção:

Vôlei feminino - As meninas do Brasil chegaram ao Rio de Janeiro como favoritas absolutas, porém, mais uma vez o nervosismo e a ansiedade afastaram-nas da medalha de ouro.

Talento e simpatia:

Fabiana Murer (salto com vara) - A atleta Fabiana Murer (foto) esteve no Engenhão no dia seguinte a sua conquista da medalha de ouro, e com muita simpatia atendeu aos fãs (maioria crianças) com fotos e autógrafos na arquibancada do setor norte do estádio. Em certo momento, a Força Nacional teve que ir resgatá-la, para que pudesse subir ao pódio.

Momento emocionante:

Este espaço tem que ser dividido em dois momentos: a despedida de Janeth da seleção brasileira de basquete e a conquista das meninas do futebol, com direito a Maracanã lotado, como nos velhos tempos.

Frases do Pan Rio 2007 - parte final

“O Bernardinho estancou uma hemorragia” - Galvão Bueno, sobre o “corte” de Ricardinho da seleção masculina de vôlei.

“Este ministro Orlando Silva trabalha mesmo, não brinca em serviço e, o melhor, é humilde” - Luciano do Valle, ‘puxando o saco’ descaradamente do ministro dos esportes.

“É maravilhoso ser lembrada para sempre e ser a primeira mulher brasileira a estar na calçada da fama” - Marta, jogadora de futebol, colocando seus pés na Calçada da Fama do Maracanã, após conquistar o ouro pan-americano.

“Ele deve ser filho do Chupa Chupa 1 e será pai do Chupa Chupa 2, ou seja, é de uma dinastia de Chupas Chupas” - Oscar Schmidt, na Globo, sobre o cavalo Chupa Chups.

“Pelo amor de Deus, salvem o futebol feminino” - Galvão Bueno.

“Por tudo que aconteceu comigo, esse ouro é um recomeço” - Maurren Maggi, medalha de ouro no salto em distância.

Foto: Pedro Cardoso / GemaCarioca.net - Na imagem, o Engenhão em dia de atletismo.

Legado do Pan começa a aparecer

A newsletter do prefeito César Maia, divulgado no Blog Diário do Rio, fala de uma série de eventos esportivos internacionais que terá o Rio de Janeiro como base pós-Pan 2007. Até agora, já foram confirmados cinco eventos. Confira a lista.

2007, setembro - Campeonato Mundial de Judô (Arena Olímpica do Rio).

2007, outubro - Troféu Mundial de Nado Sincronizado (Parque Aquático Maria Lenk).

2007, outubro - Masters de Tenis de Mesa (Rio Centro).

2008, fevereiro - Open Mundial de Badminton (Arena Olímpica do Rio).

2008, outubro - Campeonato Mundial de Futsal (Arena Olímpica do Rio).

Isso é o que nós chamamos de legado para a cidade. Os imediatistas criticaram as construções dos aparelhos temendo os famosos “elefantes brancos”. Não vou entrar no mérito do dinheiro gasto nas obras, se teve irregularidades, cabe ao Ministério Público investigar.

Agora, os empresários cariocas poderiam entender melhor essa vocação do Rio e da população para o esporte e investir em times de vôlei e basquete, para aproveitar melhor a médio prazo tanto o Maracanãzinho quanto a Arena Olímpica, durante os respectivos campeonatos nacionais.

Onde foram parar os ingressos do Pan Rio 2007?

Que os cambistas agem livremente no nosso país não é novidade nenhuma, mas a dificuldade para comprar ingressos para o Pan Rio 2007 demonstram que algumas promessas não foram cumpridas no combate a esse câncer.

Um torcedor disse ao Gema Carioca, que no final do vôlei de praia feminino, sábado, ele foi até a Arena de Copacabana comprar ingressos com sua família para assistir o jogo. Assim como ele, outros torcedores foram às bilheterias e não encontraram nada a venda. No meio disso tudo, pasmem, um voluntário responsável pela orientação do público indicava os cambistas que continham os ingressos desejados. Lamentável.

Frases do Pan Rio 2007: Parte 2

“Não foi nem um bloqueio, foi um embargo brasileiro” - Luciano Huck, comentando a final de vôlei feminino (Brasil x Cuba), para o canal Sportv.

“Não existe melhor doping do que estar apaixonada” - Rebeca Gusmão, medalha de ouro nos 50m nado livre.

“Nadamos pensando nessas pessoas. Nossa vitória vai para elas” - Kaio Marcio Almeida, vencedor dos 100m Borboleta, sobre as vítimas do vôo da TAM.

“Essa prata vale ouro. Agora vou a aparecida agradecer” - Fabíola Molina, segunda colocada nos 100m nado de costas.

“Para quem tem um mínimo de noção do judô, aquela punição causou revolta. Já estamos acostumados a ser “garfados” em outros países. Mas quando você vem para o seu país, com a sua torcida, você não acredita que acontecerá uma injustiça como essa” - judoca Érika Miranda, prata na categoria até 52kg.

Foto: Ministério dos Esportes - Balão Cauê que está rodando a cidade.

Retorno e explicações

Primeiro gostaria de pedir desculpas aos leitores do blog pelo meu sumiço. Tive alguns problemas de ordem pessoal que não me permitiram atualizar o Gema Carioca. Mas nesta quinta-feira (26), voltamos a nossa programação normal.

Queria aproveitar essa mensagem para agradecer a todos aqueles que tornaram possível o fato do Gema Carioca figurar entre os blogs mais lidos do diretório Secundum. Foram apenas dois posts entre os 100 mais lidos, é pouco, mas um grande feito para um blog que tem como temas principais educação, cultura e as notícias do Rio de Janeiro. Veja a lista completa clicando aqui.

O Secundum é um diretório para blogs associados que remunera pelos 100 posts mais lidos. No momento o site está passando por um período de transição, e em poucas semanas estará em pleno funcionamento.

Tequila dos mexicanos não passou na “alfândega” do Pan do Rio

Um recorde, México e Cuba já bateram nos Jogos Pan-Americanos. São as delegações que tentaram levar a maior quantidade de bebidas para dentro da Vila Pan-Americana. Ou, pelo menos, as que foram mais indiscretas, pois tiveram muita coisa confiscada.

A organização revelou os objetos apreendidos com os atletas. Os pertences dos mexicanos são os que ocupam mais espaço nas prateleiras onde as mercadorias estão guardadas. É quase tudo bebida, litros e litros de tequila, cachaça, vinho e uísque. Cuba ficou com a medalha de prata, também conquistada com muito álcool.

Os argentinos tiveram um único tipo de objeto apreendido: tesouras, que aliás estão em quase todas as prateleiras. Canivetes também podem ser vistos por toda parte.

Na parte brasileira, chama atenção uma cafeteira. Os atletas quiseram ainda levar para a Vila uma faca, um garfo, um canivete, aparelho de som, dois copos e sete garrafas de bebida, entre elas um champagne que um atleta premiado ganhou de presente. Os nicaraguenses também tiveram de deixar um aparelho de som para trás.

Tudo o que foi detido está etiquetado e será devolvido no momento em que o atleta sair da Vila, segundo os organizadores.

Já os torcedores perderam principalmente bandeiras, fogos de artifícios, canivetes e cornetas, de acordo com a Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp). E no caso deles, o termo certo é “perderam” mesmo, pois nada será devolvido. Ao final dos Jogos Parapan-Americanos, em agosto, os pertences serão doados para cooperativas de reciclagem.

Quando vão assistir a uma competição, os torcedores passam por um dos 156 aparelhos de raio-x, 350 portais detectores de metal e 437 “raquetes” que também acusam a presença de metais. Segundo o coordenador de tecnologia da Senasp, Odécio Carneiro, estes equipamentos serão usados na entrada de órgãos públicos, presídios e estádios de futebol do Rio de Janeiro após o Pan.

Fonte: Agência Brasil

Em torno do Engenhão, moradores aproveitam para fazer comércio de garagem

Um comércio surgiu no entorno do Estádio Olímpico João Havelange, o Engenhão, durante os Jogos Pan-Americanos. Não se trata de ambulante, são os próprios moradores que estão abrindo os portões de casa e colocando os produtos a venda nas garagens e varandas.

Próximo à entrada leste do Engenhão, uma das mais movimentada em dia de jogos do Pan está Zeilda Monteiro. Precisando de um dinheiro extra para as despesas com o casamento do filho, ela resolveu aproveitar o movimento dos torcedores para incrementar a renda de babá. Zeilda, que mora no térreo de prédio, puxou para a área da frente do apartamento uma extensão de luz e trouxe uma mesa e um carrinho para assar churrasquinho e salsichão.

Diariamente ela vende cerca de 100 churrasquinhos e 100 salsichões. Tem ainda a água e o refrigerante, cerca de 150 por dia. No final do Pan ela espera ter conseguido R$ 800 reais. Ela ainda avalia a possibilidade de continuar as vendas depois do Pan quando houver jogos de futebol no Engenhão. “O Pan tem um público mais família. A primeira experiência com o Engenhão, quando teve um jogo de futebol não foi tão tranqüila, nos assustou um pouco”, conta.

Um pouco depois de Zeilda mora Dalton Amauri. Por 8 anos ele foi vizinho a área da extinta Rede Ferroviária Federal e que agora é ocupada pelo Engenhão. Corretor de imóveis, ele aproveita as horas vagas para abrir o portão de casa, espalhar caixas de isopor pela garagem e vender refrigerantes, água e cerveja a quem vai ao estádio. No final do Pan, Dalton espera ter juntado entre R$ 500 e R$ 600 para viajar com a namorada.

Para não ficar sem renda no período de férias escolares, Dalva Frasão, que vende salgados na porta de faculdades, aproveitou para vender bolos, empadas, cachorro quente e bebidas próximo à entrada Norte do Engenhão. Sem muros, a janela da sala de Dalva se abre direto para rua. Foi na grade da janela que ela pendurou latinhas de refrigerante e garrafas de água para atrair a freguesia.

Sentada no sofá, assistindo televisão, Dalva espera que o movimento aumente já que a entrada do estádio próxima a sua casa está fechada. “Não tenho vendido mais que 12 latas de refrigerante por dia”, afirma. Dalva faz plano para no futuro abrir uma lanchonete onde mora aproveitando o movimento dos eventos esportivos que devem tomar conta do Engenhão depois do Pan.

Enquanto alguns comemoram da oportunidade de ter uma renda extra, quem tem comércio formal na região reclama da concorrência das vendas domésticas. “Isso prejudica quem tem um comércio e paga tributos”, afirma Cândido Fialho, proprietário há quatro anos de um mercado no ntorno do Engenhão. Ele reclama ainda que falta fiscalização. “A fiscalização ao comércio foi intensa nos três meses anteriores, agora cada um vende o que quer”.

Fonte: Agência Brasil

Olimpíada Carioca é esperança para jovens de comunidades carentes

A 1ª Olimpíada Carioca, aberta hoje (21) no Armazém 6 do Cais do Porto, na Praça Mauá, vai durar cinco meses. Reúne mais de quatro mil jovens, entre 14 e 17 anos, de 85 comunidades da capital e de mais três municípios vizinhos – Niterói, Nova Iguaçu e Duque de Caxias. As modalidades são de atletismo, basquete, vôlei, futsal e vôlei de praia.

Da comunidade de Silva Bastos participam 34 alunos, que são coordenados pelo professor Ronan Lírio. Os jovens do bairro vão participar do atletismo, vôlei e futebol. “Esse projeto vai ajudar a tirar as crianças do vício. Somos uma comunidade carente, e a prática esportiva ajuda na formação delas”, pontua Lírio que acabou perdendo o emprego pela dedicação às atividades recreativas. “Faltei duas vezes ao trabalho e meu chefe me mandou embora. Hoje estou desempregado, mas feliz em poder ajudar na formação das crianças”, frisa.

Outro professor é Carlos Augusto Santos da Silva, da comunidade da Rocinha, considerada a maior favela da América do Sul. O bairro vai estar representado por 90 crianças, principalmente na prática do futebol. “O projeto vai ajudar na integração dos jovens, já que não temos espaços para a prática esportiva”, avalia. Um dos seus alunos é Jean Santos, 15 anos, que joga futebol. “Estou achando maravilhoso. Estava de férias sem fazer nada. O projeto está ajudando a gente a sair do morro”, pontua.

Já Douglas Rodrigues Nascimento, 14 anos, é da comunidade do Salgueiro. Ele também é do time de futebol do bairro. Vê na Olimpíada Carioca a oportunidade de ser descoberto para o esporte. “Sou atacante. Quero sair da competição como artilheiro”, diz confiante.

Foto e texto: Agência Brasil - Na imagem, O atleta brasileiro Diogo Silva, medalha de ouro no tae kwon do, participa da abertura oficial da Olimpíada Carioca que acontece paralelamente aos Jogos Pan-Americanos do Rio de Janeiro.

Próxima página »