Quando criança, o nadador Thiago Pereira tinha como ídolo o catarinense Fernando Scherer, o Xuxa, que foi até algumas horas atrás o recordista brasileiro em medalhas de ouro num único Pan-Americano – quatro, em Winnipeg/1999. Hoje (20), Xuxa foi ultrapassado pelo fã. Na piscina do Parque Aquático Maria Lenk, Thiago conquistou mais duas medalhas de ouro no Pan do Rio (200m medley e 4×100m livre), chegando a cinco e igualando ainda a marca do norte-americano Mark Spitz em outra edição disputada na cidade canadense de Winnipeg, em 1967.
E pode ser que não pare por aí, já que Thiago vai nadar ainda três provas. Neste Pan ou no próximo, ele é candidato a superar o ex-nadador Gustavo Borges e o mesatenista Hugo Hoyama (que compete no Rio). Com oito ouros pan-americanos no total de suas participações, eles são os recordistas nacionais. Thiago já tem sede pódios pan-americanos, mas nas outras duas vezes, em Santo Domingo/2003, não chegou ao posto mais alto: levou uma prata e um bronze.
Na época, tinha 17 anos. Hoje, aos 21, ele conta que já conseguiu bem mais do que sonhava. “Vim para o Rio e brinquei, dizendo que já tinha uma medalha de prata e outra de bronze, e que queria uma de ouro. Acabei conseguindo mais que isso, e está além do que eu esperava”, afirmou o nadador, logo após ser abraçado por Fernando Scherer, que estava no parque aquático como comentarista de televisão. “O Xuxa me falou que sabia que eu iria superar o seu recorde. Ele me inspirou na natação. Estou feliz”.
Aplaudido de pé, Thiago não se cansava de acenar para o público. Os pais e os dois irmãos mais velhos estavam lá, gritando seu nome. Mas quando ele está na água, não é fácil abalar sua concentração. “Sempre procuro me concentrar no que faço. Tento não me importar com o que acontece fora da piscina para que nada me atrapalhe. Muito levam problemas particulares para dentro d’água, mas eu esqueço e só foco na prova”.
A família, segundo ele, é sua grande incentivadora desde quando começou na modalidade, ainda garoto, num clube popular de Volta Redonda (RJ), sua cidade-natal. A primeira medalha veio aos 12 anos, de bronze. Logo depois, começaram a aparecer as primeiras vitórias, o que chamou a atenção do Minas Tênis Clube, de Belo Horizonte, para onde Thiago se transferiu em 2001.
Sobre o futuro, além de uma boa atuação na Olimpíada de Pequim/2008, Thiago pensa em cursar economia ou administração de empresas, se possível numa universidade nos Estados Unidos - país de sua banda de rock favorita, o Guns ‘n Roses. “Gosto de administrar as coisas”. E depois do Pan? “Só pretendo descansar bastante. A maratona é grande”.
Fonte: Agência Brasil